domingo, 17 de junho de 2012

Ex Jardim


Eles eram um para o outro uma espécie de jardim, cheio de flores coloridas e borboletas azuis. Ali se plantava toda a esperança de um futuro bom, de uma vida tranqüila partilhada a dois. Era ali que se colhiam os melhores beijos, as rosas mais macias da estação, os sorrisos ofertados eram luzes que aqueciam tudo o que plantavam e os passarinhos sorriam junto em consentimento do quanto àquilo era bom. Ela era flor, era cuidada e nenhuma outra mão poderia tocá-la. Por muito tempo foram regados com os sentimentos mais nobres que se pode existir, era um jardim cheio de vida, tudo era festa e ele, o cravo rei.
Mas um dia veio tempestade, vento forte que carrega tudo, veio pestes, veio pragas, ervas daninhas que se infiltraram. A grama ficou seca, o céu perdeu a cor, o cravo que amava a flor, deixou de ama-la. A flor que amava o cravo pedia pra Deus pra aquilo tudo acabar. E acabou. Sem jardim, sem borboletas, sem cravo, sem flor, só um sentimento restou da tristeza que levou tudo, menos o amor.